POEMAS

eu vendi minha alma por tédio
nem fome, nem poder
só pra ver se alguma coisa muda de cheiro
desde então minhas sombras são mais altas que eu
não falam, mas me olham com cara de
te avisei,
e continuam
andando
arrastando o cu por fazendas com cheiro de leite azedo
onde o céu é tão baixo que encosta no ombro
e os mortos me chamam
mas nem sei mais meu nome
então continuo andando
meu muso
(de onde tirei essa porra de palavra?)
ele é costurado sim
mas não é poético
ele fede
fede a coisa enterrada errada
tem dente nas costas e chora por gozo
fala blasfêmia?
não, fala coisa sem sentido
fala coisa que quando eu durmo
fica repetindo dentro da minha boca
até minha língua querer se enforcar
fico duro
mas não de tesão
de medo
de raiva
de querer quebrar o próprio pau com a mão
e jogar na cara de um deus que não existe
arruda?
capim santo?
isso é nome de sabonete pra gente limpa
eu tô sujo de dentro
tô sujo num lugar que nem existe mais
tifoniano o caralho
isso aqui é só eu
e eu
e eu
até não sobrar mais porra nenhuma
hardcore é cair no chão
e morder o asfalto até os dentes virarem areia
isso é poesia?
não.
é só eu tentando parar de gritar.